Não sabes a angústia que sinto ao ver que és uma única alma concentrada noutro mundo no meio de um parque, sentada numa esplanada, com talvez um chá a arrefecer em cima da mesa. Escreves no papel, e sempre que tens uma branca, riscas as últimas palavras que anteriormente pensavas que soavam bem. Não tens dotes, não tens chama dentro de ti, mas adoras vir na mesma ao parque, como se te desse uma espécie de inspiração, adoras sítios ao ar livre, mas assim que lá chegas queres ir para casa, porque te sentes sozinha. Às vezes até te apetece chorar do que vês, a quantidade de pessoas que passam por ali quase todos os dias, e que ninguém as repara senão tu, porque se calhar ficavas manhãs e manhãs sentadas no mesmo sítio de sempre, a respirar o mesmo ar de sempre, mesmo com o teu caderno em branco. Escreves mas não sabes escrever, tentas ser alguém que se integra, quando és uma pessoa que dificilmente se adaptaria num sítio como este.
Não sabes o que és nem o que queres ser, mentalizaste-te que é de família pois foi a única desculpa que arranjaste para te sentires melhor sobre a tua indecisão sobre tudo o que te rodeia. Nunca achas que és boa o suficiente e julgas-te a ti própria em frente a um espelho a seguir a te levantares, no teu pior estado. Vives acontecimentos que não existem porque nunca soubeste sequer viver. Nunca ninguém te ensinou. Mantiveram-te em segurança do resto que existe lá fora, consolada por pequenos entretimentos que hoje em dia são tão comuns. Nunca te ensinaram a amar, portanto sempre achaste que tal coisa existia. Gostas de pequenos toques, procuras pequenos sorrisos e fechas os olhos demasiadas vezes porque nada do que vês te preenche por dentro. Aposto que continuarás a ir ao parque sempre que te sentires sozinha. Talvez um dia alguém passe por ti e se sente na mesa ao lado, com um leve sorriso na cara e outro caderno na mão, e outro chá a arrefecer, talvez esse alguém faça o mesmo que tu, no outro lado do café, aquele que não está ao alcance da tua visão. Talvez esse alguém faça o mesmo que tu, a mesma rotina, e tu não saibas. Talvez esse alguém ache tão fascinante como tu achas as pessoas que vês todos os dias e não te vêm a ti. Esse alguém irá mudar a sua rotina para te ver uma vez de outra perspectiva.
Autora: Brenda Wolff

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